segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Poesia sem borracha

Pela louca cabeça escrita
Pelo desfalcado raciocínio
lógico apreendido
Neuras de muitas neuroses
sem fim.

Por acreditar na penetração
surda no mundo das ideias
e resgatar de lá letras
que formam palavras
que fazem sentido
ou não.


A borracha seleciona palavras.
O sentido de apagar é não
outro senão: destruir.
Como Quão abominável destruidora
de palavras - o Como eu não como, era
pra ficar aí mesmo - eu fui.

A solidão vai embora

Acompanhada de vasta desilusão
a solidão vai embora
afasta-se do dois e do conjunto,
de nós dois juntos; deixa-se cantarolar

Acompanhada de intensa tristeza
a solidão vai embora
para mais um dia separar-se
de nós dois juntos; deixa-se mesquinhar

Desabrigada dos delírios da nobreza
a solidão vai embora
enche-se de pobreza e esta é
sua riqueza, de nós juntos; deixa-nos só

Manipulada pelo ego do desprezo
a solidão vai embora
diz que nunca irá voltar
para nos acompanhar
nós dois juntos,
ela longe e triste;
ou separados, ela existe.

Ca'fé da tarde

Nada comparado a hora do café da tarde.

Mesmo que se adentrando as dimensões do nada
lá estejam, estão: o café, a tarde, a hora, o agora, os
minutos, segundos contados para tomar uma 
boa dose de xícara de café
Acordar do nada.

Quão boa xícara que, tomando-a depois
do meio dia quando há mais meio
para viver antes de anoitecer
escuta-se a melodia do
trabalho preguiçoso
sossego gostoso
que vem do baixo
sol

Conversa-fiada, pensamento da vida, a noite
que vem logo
o que espera-se através dessa janela, essa hora!
Tempo, aroma permeiam as narinas e os olhos
da solidão vespertina
mandando-a do nada para o
nada
bombas de energia
café.

Caixa de presente

Queria conhecer as pessoas que se escondem
Sem procurá-las
Sem desembrulhá-las desse presente prescrito sociedade
Sem desfazer seus laços.
Eu só queria conhecê-las.
O presente até pode ser passado, não tem problema

No pulo ávido da surpresa surpreender-me
um urro, vontade de esmagar com onze dedos
todas as caixas com laços
que se espalham, átomos do cheiro
o dia inteiro
abre, fecha, faz, desfaz e não sai

Dentro de caixas, outras caixas
segredos, desejos, vontade
ida e volta
acima abaixo
dentro de pessoas, outras pessoas
eu só queria conhecê-las